Direita e Esquerda: mil léguas de separação

De uma hora para outra a patrulha do ódio rompeu as raias do tolerável, passando a contestar a posição política daqueles que pensam diferente com unhas e dentes; a ferro, fogo e tudo aquilo que mais primitivo possa ser. Tenho 49 anos, acompanho o processo político desde a tenra idade, mas não me recordo de ter presenciado tamanha ebulição. Chegamos a tal ponto que discutir política gera uma situação de constrangimento não apenas em locais públicos, mas no próprio seio familiar. Convencionou-se dividir as correntes do pensamento entre “Direita” e “Esquerda”, definição que lembra a anatomia de um corpo, ambas estão em lados opostos. O fato de defendermos ideais diferentes não devia nos promover à desgraça do posto de inimigos. Na constante aprendizagem que temos uns com os outros durante a passagem temporária nesse plano a diversidade é algo de rara necessidade de se salutar, o questionamento faz da vida algo com mais sentido e menos tédio.
Alguns amigos que amavam a obra cultural de vários artistas passaram a odiá-los por conta de opção política, de repente tudo aquilo que produziram em décadas deixou de ter valor, mesmo estando no patamar da qualidade superior. Estamos a misturar as coisas, isso é muito triste. Claro que no inventário do caos que se renova todos os dias existe muita teatralização também, algumas semanas atrás Seu Jorge veio fazer um show em Porto Alegre, ao final do espetáculo “fez o L” diante de uma plateia que de antemão sabia ser defensora da oposição política; foi inoportuno na sessão dos horrores que se desencadeou com os gritos racistas daquelas pessoas nojentas de sempre.

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