Pedra fundamental do Quartel de Engenharia de Cachoeira

Há 100 anos, no dia 2 de abril de 1922, Cachoeira recebeu autoridades para o lançamento da pedra fundamental dos quartéis do 3.º Batalhão de Engenharia, obra ansiada pela comunidade e que, efetivada, tornou a cidade polo reconhecido pela excelência das instalações e serviços militares.

3.º BE – Batalhão Conrado Bittencourt – Robispierre Giuliani

Conforme a imprensa noticiou, às 17 horas daquele 2 de abril, chegaram em trem especial o Ministro da Guerra, Dr. João Pandiá Calógeras, os generais Cândido Rondon, Abílio Noronha e outros oficiais do Exército, além de executivos da Companhia Construtora de Santos, empresa responsável pela construção de vários quartéis no Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso. Foram todos recepcionados na Estação Ferroviária por autoridades locais e muitas pessoas da comunidade, sendo saudados, em nome da cidade, pelo intendente municipal Dr. Aníbal Lopes Loureiro.

Dr. João Pandiá Calógeras – Wikipédia

Depois das saudações e cumprimentos de praxe, o Ministro da Guerra e o intendente municipal, acompanhados das demais autoridades visitantes, seguiram em vários automóveis em rápido passeio pela cidade, dirigindo-se ao terreno escolhido para a construção dos quartéis do 3.º Batalhão de Engenharia. Adquirido pela municipalidade, o terreno foi cedido ao governo federal, tendo sido todo esquadrinhado pelo Ministro da Guerra, que aprovando-o, autorizou o início das obras.

Todos os passos das autoridades visitantes foram registrados em ata especial, lavrada em pergaminho por Emiliano Carpes, nomeado secretário da solenidade. Após a assinatura do Dr. Pandiá Calógeras e demais autoridades, o Dr. Roberto Simonsen, em nome da Companhia Construtora de Santos, ofereceu uma taça de champanha aos presentes, saudando o Ministro da Guerra por suas iniciativas à frente do ministério. Todos então levantaram suas taças em saudação à grande iniciativa, sendo logo chamados a ouvirem o pronunciamento do intendente. Aníbal Loureiro, em sua alocução, afirmou que a cidade estava engalanada e feliz pela visita do Sr. Calógeras e extremamente satisfeita em oferecer ao governo federal área necessária para tão importante e significativa obra. Fez referências à importância do Exército, suas instalações e tropas na garantia da integridade e soberania da pátria, escudado na experiência recente da guerra (I Grande Guerra) ocorrida na Europa. Ao terminar, levantou sua taça ao Ministro da Guerra e à grandeza e prosperidade do Brasil, sendo muito aplaudido.

Na sequência, manifestou-se o Dr. Pandiá Calógeras, agradecendo, em nome do governo federal, a doação de terrenos feita pelo município, ressaltando a cooperação patriótica que tinha, a exemplo de Cachoeira, encontrado em todo o Rio Grande do Sul. Finalizando a fala, entregou as obras aos responsáveis da companhia construtora, à competência da diretoria de engenharia do Exército, representada pelo General Cândido Rondon, e ao carinho do povo cachoeirense, conforme relatou o jornal O Commercio, em sua edição do dia 5 de abril de 1922.

Depois do discurso, deslocaram-se todos para lançarem a pedra fundamental das obras, tendo Calógeras disposto no local a primeira pá de cimento.

Lançamento da pedra fundamental, vendo-se, em primeiro plano,
ao centro, Pandiá Calógeras, ladeado, à esquerda, por Emiliano Carpes e, 
à direita, pelo Marechal Rondon – Grande Álbum de Cachoeira, de Benjamin Camozato

O 3.º Batalhão de Engenharia foi criado em São Gabriel, pelo Decreto n.º 12.739, em 26 de dezembro de 1917. Com a construção do quartel em Cachoeira, foi o 3.º BE transferido para a cidade, após a conclusão das obras em outubro de 1923.

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