Um passinho à frente, por favor

Meus ex colegas que dividiram as salas do conhecimento comigo sabem que sempre gostei de sentar no fundo, quer tenha sido na formação básica ou mesmo nos bancos universitários. O fato de eu me identificar com a turma do fundão não necessariamente indica que eu era afeito a conversas paralelas, longe disso, é que sempre gostei de estar atento à cena, detrás o ângulo era mais favorável para enxergar o cenário completo. Não me perguntem como desenvolvi essa capacidade de analisar as coisas ao redor, nem eu sei. A verdade é que num determinado momento de minha vida infantil comecei a questionar várias coisas, por isso passei a observá-las.
Não se trata de exigir a perfeição, errar é um axioma irreversível da condição existencial do ser humano. Mas se você parar para observar o cotidiano em que vive chegará à conclusão de que nós cometemos deslizes grotescos durante a convivência coletiva. Final de tarde de ontem, estou chegando na filial oito do Tischler, na porta de acesso à loja cinco pessoas conversam animadamente, elas estão paradas, obstruem parte do caminho, me esgueiro entre elas para pegar um cestinho. Leitor, convenhamos, a entrada de qualquer estabelecimento comercial não é o local mais adequado para uma reunião entre amigos. Ainda dentro da convivência nos supermercados, essas pessoas são as mesmas que largam os carrinhos de qualquer jeito após os esvaziarem com suas mercadorias, bem como promovem uma torre de babel com as cestinhas que, devidamente encaixadas, ocupariam um espaço bem menor e facilitariam o recolhimento pela equipe de apoio.
Às vezes me recordo da organização que a unidade militar à qual servi exigia de seus integrantes, havia uma cartilha básica que obrigatoriamente precisava ser seguida à risca. Dentre elas vigorava a total proibição de se jogar qualquer espécie de lixo no chão, o descumprimento dessa norma acarretava em punição militar. A disciplina apregoada na caserna devia ser um exemplo para a vida humana de forma ampla, através daquilo que posssui de melhor.
Em resumo, a perfeição por aqui será sempre uma utopia. Mas o processo de melhoria devia ser uma busca constante em cada dia a mais da existência humana.

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