O prazer de um chimarrão no dia a dia

Ao chegar de tardezinha, depois dos compromissos diários, é um bom companheiro de descanso, como se fosse uma medalha pelo dia e pelos compromissos feitos.
Para aqueles que tem a sorte de passar a manhã em casa, nada melhor do que degustar com calma da sua presença.
No inverno acalma a alma, no verão anuncia a despedida do sol. Aqui em casa ele aparece todos os dias. Nos finais de semana, então, chega a ser mais de um por dia. Dos mais antigos aos mais novos, quase ninguém dispensa ele. Une gerações e entrelaça amizades.
Essa altura você já deve estar desconfiando de quem eu falo, sim, o maior símbolo dos gaúchos: o nosso bom chimarrão.
O mate é a resolução para muitos de nossos devaneios. Antes de uma decisão complicada, deixa eu tomar um mate. Em um dia difícil, nada melhor do que tomar um amargo em silêncio para desfiar as histórias no vento. E nos dias alegres ele brinca de brindar de mão em mão as conquistas realizadas. Pode ser um frio de zero graus ou um calor de quarenta, não existe empecilho para ele.
Que me perdoem as outras culturas, mas até tenho pena de quem não tem o costume de apreciar bons momentos com seu matezito particular. Na psicologia nós falamos sobre a importância da atenção plena, ou sobre a dificuldade de nos conectarmos no aqui e no agora, ensinamos sobre respiração diafragmática e outras ferramentas psicologicas para diminuir a sensação de ansiedade e de angústia do futuro. Talvez os teóricos de outras regiões não saibam, mas o melhor exercício de atenção plena do gaúcho é o seu tempo com o chimarrão. Sem celular, sem correria, sem prazos. Só ele e o mate. E se tiver um companheiro com uma boa troca, melhor ainda. Um livro, um chimarrão e um dia frio, acho que esse é o retrato da paz.
Chimarrão é uma boa metáfora sobre a vida, nem ser doce demais para que não enjoe e nem amargo demais que não posso ser tolerável.

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