Nossas praças

Na Cachoeira do Sul de minha infância as praças eram essencialmente das pessoas, o povo ordeiro era a razão principal da existência delas, que naturalmente traziam uma conservação bem melhor do que o descaso dos tempos atuais, com a anuência de cidadãos de péssima índole. A Praça Honorato de Souza Santos era muito frequentada pelas famílias, casais adultos levavam seus filhos para brincarem sob atenta vigília, enquanto sentados nos bancos jovens casais enamorados faziam juras de amor. Outrora ponto fixo como destino de lazer, a velha praça que abriga o principal ponto para embarque e desembarque de nosso transporte coletivo urbano hoje se configura mais como um local de passagem, por onde as pessoas cruzam para fazer o serviço de supermercado, compras diversas no Centro ou mesmo cumprir com tarefas financeiras nas redes bancárias que existem em seu entorno.
A Praça José Bonifácio também foi outro latente por aqui, localizada bem no coração pulsante da cidade. Nos tempos em que a Fonte das Águas Dançantes Artibano Savi operava com a magia do encanto proporcionado pela explosão de cores ao som de uma melodia promotora da paz interior. Naquela época, eram comum dezenas de famílias saírem de suas casas, principalmente nas noites de verão, com um único objetivo na agenda: assistir às águas dançantes.
Claro que o povo nem pode reclamar com tanta veemência da formatação atual desses importantes centros de convivência humana, parte dele corresponde a um fiel depositário do inventário atual, quer seja por suas atitudes práticas no dia a dia ou mesmo ao selecionar seus líderes durante os pleitos eleitorais, trata-se de uma venda casada que nos remete a uma equação por demais óbvia.
As praças têm uma conotação romântica que foi se perdendo ao longo dos tempos, você não notou isso? Sempre digo que precisamos examinar as cenas às quais dizem-nos respeito para desvendar os signos diversos que regem nossas vidas. A indignação dos justos nem precisa ser tão gritante quando destróem os bancos delas por pura maldade, ao sentar no encosto anterior a alocar seus pés imundos no assento que posteriormente serão ocupados de forma civilizada por cidadãos desavidados do porco gesto que antecedeu sua chegada ao local. Em resumo, somos o retrato do cenário ao qual contextualmente estamos inseridos.

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