GENTILEZA

Sempre que vou ao comércio costumo agradecer a quem me atende com um “obrigado”, essa gentileza não me custa um centavo sequer, e às vezes promove um grande bem àqueles trabalhadores cuja trajetória diária é nos servir. Quando vou ao supermercado agradeço ao profissional da balança, do açougue, da padaria, do caixa, do pacote, àquele que prontamente larga o que está fazendo para me ajudar a encontrar algum produto; não economizo gratidão. Há quem diga que o agradecimento deve ser exclusividade de quem está prestando o serviço, pois o cliente ao efetuar as compras está levando dinheiro para ajudar a manter seu emprego. Nunca fui adepto dessa tese que denota uma espécie de escravidão moral, por isso agradeço. Jamais saio do comércio sem dizer pelo menos um “obrigado”. Me sinto bem.
No universo cada vez mais impessoal que estamos vivendo a fidalguia parece estar cada vez mais ausente. Na tarde de sábado estive na filial 8 da Rede Tischler de Supermercados, somente após entrar na fila do caixa fui visualizar a placa de atendimento preferencial. Instantes depois olhei para trás e percebi a chegada de uma idosa, estava com um saquinho de pão. Imediatamente, pedi para que ela passeasse à minha frente, ao que agradeceu com um sorriso no rosto. O rapaz que estava em sua frente até olhou para trás, mas não teve a mesma iniciativa. Paciência, nem tudo é como a gente quer.
Há um antigo mandamento que versa sobre a cumplicidade, é preciso se colocar no lugar do próximo por um simples e infalível fator: a lei do retorno. No caso específico da boa abordagem aos idosos devemos sempre nos lembrar que nós seremos os anciões de amanhã, exceto aqueles que por razões diversas encontrarem a morte no meio do caminho. Quando um jovem trata um idoso com falta de educação as crianças estão aprendendo na prática a forma que julgam ser a adequada para tratá-lo quando ele chegar até a velhice.
Mas eu dizia da gentileza, da fidalguia que agoniza diante de nossos olhos, basta analisar as cenas de nosso cotidiano diariamente. Parece que estamos em permanente vigília à procura de algo para reclamar, permanecendo mudos sempre em que não encontramos motivos para tal. Sim, nos tem faltado empatia. Estamos em guerra contra nós mesmos.
Gratidão aos leitores que têm paciência para acompanhar meus textos, desde os tempos em que escrevia nos cada vez menos existentes jornais impressos, eles foram sendo suplantados pela tecnologia digital. E parabéns a todas as mães pelo seu dia, foi o começo de tudo que nos trouxe até aqui.

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