Os cegos do castelo

Possuo uma certa reticência com aquelas pessoas que dizem defender a democracia de forma ferrenha, isso já há alguns anos. Obviamente, não me refiro a todas elas, mas sim aos falsos profetas que manipulam os consumidores de informação de modo a promover recortes sociais nos quais suas supostas verdades soam como sentenças definitivas, como se estivessem dotadas de forma permanente com argumentos irrefutáveis. Nos piores momentos de crise, os cegos do castelo agonizam, enxergando as supostas verdades que lhes convêm e usando o jogo de palavras na torpe tentativa de desqualificar aquelas pessoas que se opõem aos seus princípios.
A maior parte da ira destinada contra a internet nem é em relação ao covarde processo de divulgação de notícias falsas, mas sim ao crescente alcance da rede mundial dos computadores, pulverizando a mídia tradicional, que por razões óbvias ao longo dos anos se viu na obrigação de se inserir dentro do universo digital também. O título dessa coluna é “Os cegos do castelo”, destaque que não faz alusão a uma suposta deficiência visual auto declarada pelas pessoas que tentam recusar a realidade do mundo novo, a grande questão é que elas querem passar para uma fatia cada vez menor da população sem senso crítico que a realidade da comunicação não difere muito do que era praticado há vinte, trinta anos atrás, quando dos cofres públicos saíam uma infinita quantia em dinheiro para abastecer as finanças da mídia tradicional, desmame que tem provocado um festival de atritos que parece não ter fim. Nas melhores democracias é dito que ao cidadão cabe o direito de exercer seu papel individual nas questões que envolvem a gestão pública que paira ao seu redor, sugerir o destino de gastos públicos é um deles, não se trata ser contra ou a favor dessa ou daquela empresa. O inimigo imaginário existe apenas na cabeça dos falsos defensores da democracia, são pessoas que nem deveriam estar trabalhando com comunicação, pois estão a serviço unicamente das verdades que lhes interessam, cabresto que os conduzem na direção do banquete que lhes é servido, ignorando o pobre povo que não raras vezes nem o básico possui para sobreviver. Democracia contraditória.
Nos tempos da grande penetração da internet nos lares através dos celulares cada um é editor de sua vida informativa, consultando várias fontes possíveis até chegar à conclusão de um juízo mais próxima da realidade, confrontando as diversidades de versões disponíveis, além de se deparar com notícias muitas vezes suprimidas da imprensa tradicional devido fatores que ferem a democracia.
A demagogia é tanta que ao tentar puxar a brasa para mais próximo de seus assados chegam a defender a corrupção na política, parecem ignorar a realidade contextual à qual estamos inseridos.
Obrigado a todos que me acompanham por aqui aos domingos, sabem que sempre trago uma reflexão opinativa nesse nosso novo mundo digital. Feche a tela, até a próxima coluna.

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