O adoecimento da educação.

Infantil.
Imaturo.
Desatento.
Distraído.
Agitado.

Pequenas crianças…

” A prof. disse que ele não tem vontade de fazer as atividades, ele só pensa em brincar…”

Crianças. São apenas crianças.

“Ele não para na cadeira… Tenho que ficar chamando o tempo todo”.

Crianças… Só crianças.

“Atrapalha a turma toda, conversa o tempo todo… Mandaram fazer uma avaliação…”

Criança.

Tenho escutado estas palavras repetitidamente. Desde que começou o ano letivo, DEPOIS DE UMA PANDEMIA MUNDIAL (sim em caps lock para entender o teor dramático), e depois de dois anos de um -falho- estudo domiciliar, são as características que mais escuto sobre as nossas crianças, estas, em geral com idades de 5, 6,7 e 8 anos.
A forma de se ensinar no Brasil, na base do medo e do autoritarismo, já era falho antes da pandemia, hoje parece uma tragédia.
Óbvio que as crianças querem brincar. Algumas delas nem sabiam mais o que era isso, brincar, foram dois anos ceifados de sua história. As cadeiras enfileiradas, o quadro verde e o giz branco, tem a missão de disputar a atenção com a máquina mais genial dos últimos anos: o celular.
Temos pequenos, com os cérebros hiper estimulados, eles não são hiperativos, eles não tem um transtorno, são as crianças da nova geração.
Viveram todos os tipos de histórias tristes para uma infância: mortes, doenças, medo, abusos, pressão.. o que mais preocupa é que eles não param sentados para aprender?
Parece ser mais fácil adoecer toda uma geração, procurar novos diagnósticos e os encaixar, buscar culpados, do que tentar entender a nova forma de ser criança. Vamos culpar a criança por serem crianças?
A infância termina muito rápido. A inocência, mais ainda. A forma que a criança aprende perpassa pelas emoções. O afeto é a fita isolante dos neurônios. Se a criança vai amar ou odiar aprender, dependerá da forma que vai ser ensinado.
Nossa sociedade, definitivamente, não está pronta para a nova infância. E nossas escolas, estão?

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