O que faz um casal permanecer junto?

Eu costumava perguntar qual era o segredo de casais permanecerem casados depois de um certo tempo juntos. Devia ser algo padrão, pensei, alguma fórmula ou quem sabe algo como uma receita de bolo, a qual, se seguir a risca, quem sabe se poderia ser feliz com a vida a dois. Meus pais se conhecem desde a juventude, já passaram quase 40 anos juntos. Loucura? Doideira?
Quando era jovem achava que era um absurdo passar tanto tempo junto com outra pessoa.
Uma vez li, em alguma revista, sobre a crise dos sete anos. Segundo a teoria, os 7 anos seriam o prazo máximo para um casal viver junto saudavelmente, depois disso, a monotonia da rotina e a estabilidade do relacionamento tendem a fazer o relacionamento correr um grande risco.
A verdade é que, a rotina nos engole. Dia após dias, compromissos sempre urgentes e pontuais, nos desviam e nos cansam. Infelizmente, e isso não é somente sobre casais, mas as famílias também, se não formos “chatos” e estabelecer regras (jantar sempre juntos, viajar em família, ficar uma hora fora das telas) acabamos por virar estranhos vivendo na mesma casa.
Voltemos aos casais. Na minha busca para descobrir o que faz um casal ficar junto por tanto tempo, acabei eu mesmo sendo a própria cobaia da minha pesquisa: neste último mês, completei 8 anos de relacionamento. Descobri, por fim, que não tem fórmula mágica e nem receita de bolo, tem é muito trabalho, esforço e paciência. No fundo, no fundo, o que tem mesmo são duas pessoas dispostas. Duas pessoas bem resolvidas e independentes que poderiam muito bem viver sozinhas, mas se escolhem diariamente. Duas pessoas que não vêem família como um opção. Não existe plano B, não dar certo, não é uma opção. A família vira um propósito.
Sempre vai existir prós e contras de dividir a vida de alguém, e na balança vai ter dias que os contras vão ser mais pesados. Vai ter dias que a vontade é ir comprar pão e nunca mais voltar. Vai ter dias que a pasta de dente destampada vai irritar mais que o comum. Vai ter dias que a pergunta “o que vamos jantar” vai virar a terceira guerra mundial.
Mas ainda bem que existem os outros. E se colocarmos na conta e os dias bons serem muito maiores e mais aproveitados que os dias ruins? A gente continua.
Eu disse um conselho para uma amiga essa semana, e coloco ele aqui para vocês, caros leitores: se você encontrou no seu parceiro(a) tudo ou mais do que aquilo que acredita serem características fundamentais para você, não olhe para o lado, tenha foco. Não desvie a rota. A estrada da vida a dois pode ser cheia de curvas e alguns buracos, mas ela é bem mais fácil, pois a dividimos. É preciso muita coragem para largar a mão, mas é preciso muito mais para continuar segurando. Principalmente nestes tempos tão incertos e com tantas tentações. Porém eu ainda acredito:
Ainda vale a pena lutar pela família.

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