A Fonte das Águas Dançantes

Cachoeira do Sul possuía um lindo monumento que encantava a todos que cruzavam num determinado horário da noite na 7 de Setembro, na altura da Praça José Bonifácio a Fonte das Águas Dançantes Artibano Savi era uma verdadeira explosão de cores, enquanto rodava uma música suave que convidava para uma harmoniosa reflexão. Não sei responder ao certo, mas parece que todas as tentativas de promover o seu retorno em respeito a história daqueles que projetaram esse espetáculo esbarraram em detalhes técnicos. Mas sem dúvida era um magnífico show, me recordo quando era criança. A memória figurada do menino que eu era traz a imagem de jovens casais de enamorados trocando juras de amor enquanto as águas dançavam de um lado para o outro em meio a um colorido de enxer os olhos e uma música bem sugestiva da paz que os corações buscavam. Não me passava pela memória que em vida poderia se deparar com a ruptura daquele sonho. Mas infelizmente foi o que aconteceu. A própria praça onde o antigo maquinário ainda está inserido como mera peça visual decorativa durante muitos anos esteve às voltas com uma reforma de uma infinidade de anos sem fim, sendo palco dos mais variados tipos de perversidade, o que imediatamente fez o povo abandonar o cartão postal. Ela foi revitalizada sim, após um tempo bem superior ao tolerável, mas a velha fonte continua ali sem as condições de promover seus shows e levar esperanças a um povo em sua boa parte ordeiro, trabalhador e esperançoso. O silêncio dela enquanto carros com som estridente espalham aos quatro cantos da cidade um perfil musical horroroso que chega a atravessar a parede de nossas casas é um cenário bem elucidativo dos tristes tempos que vivemos, num universo onde cada vez mais se recomenda o lazer doméstico. Até quando? Talvez o assunto volte à pauta na próxima campanha eleitoral, por razões óbvias de quem sempre se apresentar como solução.

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